A primeira proposta de grelha salarial apresentada pela tutela, no âmbito das novas carreiras médicas, ficou aquém das expectativas dos sindicatos da classe. A negociação prossegue no próximo dia 19, mas há já a certeza de que a nova grelha terá de merecer a concordância das estruturas sindicais para poder vir a ser aplicada.
Por Ana Saianda

A nova proposta da tutela acaba por traduzir-se num acréscimo salarial para os clínicos com contrato em funções públicas, mas representa um corte salarial para os médicos em contrato individual de trabalho. |
A grelha salarial apresentada pelo Governo, no passado dia 3, aos sindicatos médicos não foi bem recebida por estas estruturas. Quer a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) quer o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) consideramna pouco aceitável como base de partida para uma negociação que visa alargar o horário dos clínicos para as 40 horas semanais.
Mário Jorge Neves, presidente da Fnam, considera que a progressão das 35 para as 40 horas que está em cima da mesa não pode tratar-se de uma “progressão aritmética, mas geométrica”, lembrando que é preciso que fique consignado que haverá um maior desgaste dos profissionais.
Estas cinco horas de trabalho acrescido deverão ser canalizadas para o trabalho em urgência, que passará das actuais 12 horas semanais para as 17.
Segundo a proposta do Executivo, um médico em início de carreira (assistente) passaria a auferir 2 643, 26 euros, podendo chegar aos 3 467, 13 euros na última posição remuneratória prevista para esta categoria.
Já um assistente graduado começaria por ganhar 3 518, 62 euros e poderia alcançar os 4 239, 51 euros.
No topo da carreira, o vencimento de um assistente sénior oscilará entre os 4 291 euros e os 4 960, 40 euros.
A nova proposta da tutela acaba por traduzirse num acréscimo salarial para os clínicos com contrato em funções públicas, mas representa um corte salarial para os médicos em contrato individual de trabalho que já recebem acima daquilo que o executivo quer pagar.
NÚMERO
26 257
Médicos que trabalham nos serviços públicos, quer com contrato em funções públicas quer em contrato individual de trabalho.
Fonte: Ministério da Saúde. |
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